UM ESFORÇO CONCENTRADO EM DEFESA DA MEMÓRIA

RECOMPONDO A HISTÓRIA 2006 – Jornal de Domingo – Caderno 02 Opinião

As memórias precisam de vozes. O passado necessita de canetas corajosas que o reconstruam na percepção dos homens, visando consolidar o presente e projetar o futuro. A reverência aos heróis e seus enredos, o relembrar dos panoramas físicos formados nos variados momentos históricos e das lutas cívicas de quantos nos antecederam na marcha da vida, constituem impagável estímulo para o mundo jovem na senda do conhecimento que leva a progredir conscientemente, e, também para o mundo antigo que se renova, quando os atores decidem contribuir para benéficas transformações.

As páginas que percorro avidamente, do livro História e Crônica da Cidade Branca, de Aziss Tjher Iunes, tocam a saudade, o reencontro e o amor que sinto pelo Município de Corumbá. Em capítulos curtos, com elogiável poder de Síntese, associando o local ao nacional e vice-versa, o odontólogo e professor sabe costurar, com linguagem clara e direta, os elementos de composição dos diversos contextos no tempo e no espaço, jogando luzes pela compreensão histórica a respeito de Mato Grosso do Sul e do Brasil, fronteiras e origens de problemas. O livro, prefaciado pelo ex-procurador geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, lançado em Corumbá no final de 2005, publicado pela Associação dos Novos Escritores de Mato Grosso do Sul, tem apoio da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

Aziss Iunes é questionador: Por que desprezar e descaracterizar edificações históricas, apagando a memória da cidade, como tem acontecido ao longo dos anos? Justas homenagens oferecidas aos heróis da terra ou que a ela estiveram ligados, como placas de inauguração, nomes conferidos e logradouros, são trocados ou simplesmente retirados, sem consideração. Não por saudosismo estéril, mas, sim, por saber da importância de muitas obras que têm sido destruídas, o escritor começa o seu livro com a intitulação “Sonhei”, resumindo sua indignação, a exemplo do trecho: “Sonhei que estava entrando no majestoso Cine-Teatro Santa Cruz…” – aí lembra, a bela estrutura, que exibia filmes, sendo também palco de memoráveis apresentações de grandes artistas e litas de boxe, foi demolida para a construção de um estabelecimento bancário. Reminiscências desse tipo percorrem vários capítulos da sua construção literária.

Um esforço concentrado em defesa da memória.
2006 | Jornal de Domingo – Caderno 02 Opinião

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GUIMARÃES ROCHA – POETA E ESCRITOR
União Brasileira de Escritores – MS
Academia Maçônica de Letras – MS
Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Academia de Literatura e Estudos de Corumbá-MS

Um comentário em “UM ESFORÇO CONCENTRADO EM DEFESA DA MEMÓRIA

  1. Parabéns sempre, Guomarães Rocha, pelo esforço de manter viva a memória de nosso Estado, o Mato Grosso do Sul, através da valorização dos estudos da literatura e da história.

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