Introdução

Efervescência das Letras em nova edição da “Grandezas da Literatura
Sul-Mato-Grossense”

“Os homens se ocupam mil vezes mais em adquirir
riqueza do que cultura, e, no entanto, o que somos contribui
muito mais para a nossa felicidade do que o que temos.”
(Arthur Schopenhauer)

Ao se lançar mão às frases, orações ou expressões de efeito, pode-se cair na tentação de querer justificar certas ações que não passam de mesmice. Pior é tornar algum comentário deficiente em variedades ou ideias inusitadas. No entanto, para autores que possuem a faculdade de ser singulares, afirmar que “não basta alcançar topo, o importante é manter-se lá”, não é um jargão para o magno Guimarães Rocha.
Quando se dá uma nova edição de obra, é porque com ela não apenas alcançou os objetivos, como proporcionou ao seu autor uma interação que faz com que seu conteúdo precisa continuar a ser estendido a novos leitores, estudiosos e, mesmo, ultrapassar os limites do habitual.
Deste modo, com relançamento de Grandezas da Literatura Sul-Mato-Grossense, em novo patamar, pois revisada, atualizada e ampliada, dá-se uma áurea comprovação da efervescência das letras para se expandir ainda mais. Assim, com integrantes de quilate, na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e, consequentemente, no rol da obra, o autor nos oferece a clara mostra que o professor Vítor Manuel de Aguiar e Silva assina: “A literatura não é um jogo, um passatempo, um produto anacrônico de uma sociedade dessorada, mas uma atividade artística que, sob multiformes modulações, tem exprimido e continua a exprimir, de modo inconfundível, a alegria e a angústia, as certezas e os enigmas do homem.” Como foi com os magnos artesãos literários que deixaram o convívio terrestre, há de prosseguir a ser com aqueles nesta vida. Neste diapasão, não há como se contestar a atemporalidade da “Grandezas da Literatura Sul-Mato-Grossense”
Nesta ocasião, faz-se mister lembrar do professor, jornalista escritor e sociólogo, Robert Escarpit (1918-2000), o qual pode parecer que esteja enunciando uma ideia óbvia, mas esta, apenas, aparente expressão, ressalta que “… a literatura existe. Ela é lida, vendida, estudada.  Ela ocupa prateleiras de bibliotecas, colunas de estatísticas, horários de aula. Fala-se dela nos jornais e na TV. Ela tem suas instituições, seus ritos, seus heróis, seus conflitos, suas exigências. Ela é vivida cotidianamente pelo homem civilizado e contemporâneo como uma experiência específica, que não se assemelha a nenhuma outra. ”
Guimarães Rocha, sem sombra de dúvidas, é um eclético ícone das palavras, pois domina, como ninguém, desde a literária e a declamativa, quanto às palestras literoculturais, eis que, com desenvoltura e ímpar carisma, prende a atenção dos espectadores. Seu nome é sinônimo, não apenas de arte própria, mas, sobretudo, na procura para valorizar e expandir a escrita daqueles que produzem para a valorização da cultura.
Já se tornou estereótipo afirmar que há escritores e escritores. Aqueles, os magos das palavras, que procuram se expressar por meio “da arte da escrita, ou, tradicionalmente falando, da Literatura”. Possuem a firme disposição da persistência em “tecer (daí texto) letrinha por letrinha e de conter a ansiedade até sentir que deu o melhor de si”. Estes, tudo e toda forma de escrita é motivo de propaganda enganosa na desenfreada busca midiática em alarde de que mais um livro está vindo a lume, fruto de sua ilusória e psicodélica mente literária.
No entanto, Guimarães Rocha, não se enquadra no supracitado, pois suas tessituras artístico-literárias, quando do lançamento ao público, não precisam de alarde, haja vista que suas divulgações se dão ao sabor da sua capacidade de autêntico divulgador, em uma logística responsável, prova de que suas obras continuam na justa apreciação
dos fomentadores da legítima arte da palavra, e na sábia contramão de que “Os homens se ocupam mil vezes mais em adquirir riqueza do que cultura, e, no entanto, o que somos contribui muito mais para a nossa felicidade do que o que temos. ” (Arthur Schopenhauer)

Guimarães Rocha é, no sentido áureo da expressão, um ser humanitário,
não apenas humano.
“GRANDEZAS DA LITERATURA SUL-MATO-GROSSENSE” é outra de suas várias obras que, também, não vale apenas conferir, mas apreciar, estudar e apreendê-la.

adelaido
Adelaido dos Anjos
Professor, Jornalista (MTE/MS 1101 e Escritor

Livro, GRANDEZAS DA LITERATURA SUL-MATO-GROSSENSE
2ª Edição – 2018 – Campo Grande-MS
Life Editora